?

Log in

No account? Create an account
entradas amigos calendário info alter ego mais antigo mais antigo mais recente mais recente
Guil

O Rapaz com Pregos nos Olhos



O Rapaz com Pregos nos Olhos
montou a sua árvore de metal.
Parecia muito estranha
porque ele realmente via mal.

(Tim Burton, A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias)

Tags:

ler 2 comentários | comentar
[Centro Colombo, Parque de Estacionamento, Piso -3, junto à máquina dos bilhetes]
(...)Oh, tás a ver? Outra vez a mesma coisa! [olha incrédula para o preço a pagar] Por um bocadinho, estes tipos são uns ladrões! Já viste? [paga e retira o cartão] Deixa cá ver... 13:38... Que horas é que são? Ora... São 14:40!... Por dois minutos, já temos de pagar duas horas! Ladrões... Olha, agora que pagámos mais uma hora, não vamos já embora, voltamos lá para dentro!!


...

Isto foi uma cena surreal... Primeiro, é óbvio que o Colombo tem toda a razão... Se aquele casal entrou às 13:38 e pagou o parque às 14:40, já iam dentro da segunda hora de parque... Daí pagarem mais... Depois, a história de "agora que pagámos mais uma hora, voltamos lá para dentro" deve ter dado mau resultado, porque depois de pagar o parque só se têm 10 ou 15 minutos para sair e depois o cartão perde a validade... eheheheh... Devia lá ter ficado para ver a reacção daquela intempestiva senhora... ;-))
ler 2 comentários | comentar

We were out on a date in my daddy's car,
We hadn't driven very far.
There in the road straight ahead,
A car was stalled, the engine was dead.
I couldn't stop, so I swerved to the right,
I'll never forget the sound that night.
The screaming tires, the busting glass,
The painful scream that I heard last.

When I woke up, the rain was falling down,
There were people standing all around.
Something warm flowing through my eyes,
But somehow I found my baby that night.
I lifted her head, she looked at me and said;
"Hold me darling just a little while."
I held her close I kissed her - our last kiss,
I found the love that I knew I had missed.
Well now she's gone even though I hold her tight,
I lost my love, my life that night.

Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.




Sinceramente, sou só eu a achar que esta música é mórbida?
Aqui em tempos pus isto a tocar no computador (para quem não sabe é um original de J. Frank Wilson & The Cavaliers, recentemente gravado pelos Pearl Jam) e uma colega minha ficou com um sorriso enorme nos lábios a dizer "ah, gosto tanto dessa música, põe outra vez..." e ali ficou a cantar bocadinhos do refrão. Acho que ela nunca se apercebeu bem do que dizem os versos - é que me parece difícil ouvir isto com um sorriso nos lábios e com um ar de felicidade na cara! A música é triste, custa-me a ouvi-la como me custa ouvir o "Murder Ballads" do Nick Cave, embora a um nível menor (o "Murder Ballads" é fantástico, mas custa ouvir aquilo de uma ponta à outra...).

É o mal da explosão que a música teve nas últimas décadas do século XX, em particular nos últimos 20 anos - cada vez se liga mais ao mediatismo da banda, ao número de discos vendidos, ao aspecto dos músicos... a música não interessa, quem se importa se estão a cantar sobre amores, desamores, mortes, doenças, tristezas, alegrias, ou o que quer que seja? É cool gostar destes, toda a gente ouve, sei lá o que querem dizer as letras, não interessa, a música é fixe.

É também por isso que eu gosto tanto dos R.E.M. - existem há 20 anos, tiveram uma fase de sucesso gigantesco que entretanto já descaiu, mas continuam a ser um grupo de músicos (agora 3, dantes 4) interessados na música em primeiro lugar, capazes sempre de reinventar o seu trabalho e (quase) sempre low profile. Investigar a fundo a carreira deles, as músicas, a postura e todo o trabalho paralelo que têm feito é uma verdadeira lição de como fazer um trabalho artístico sério e sem concessões.

Tags:

ler 5 comentários | comentar