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Guil
Quando fui para Lisboa tirar o curso, fui para um apartamento onde já moravam dois outros rapazes da Nazaré. Havia 2 quartos e a mim calhou-me partilhar o maior deles com o T., que era 4 anos mais velho que eu e tinha terminado o mesmo curso na mesma faculdade e estava agora a trabalhar num banco.

Nos primeiros dias, disse-me ele mais ou menos isto: "aproveita bem estes anos na Faculdade. É a última oportunidade que tens de fazeres amigos - não penses que no trabalho vais fazer amigos, nunca se fazem. Conheces pessoas, podes dar-te bem com elas, mas não são amigos. Esses podes fazê-los agora no curso, depois não tens mais oportunidades como esta".

Durante muito tempo lembrei-me disto e fiz realmente amigos na faculdade. Depois comecei a trabalhar e vi que as coisas não eram bem como o T. dizia - talvez pelo facto de os nossos trabalhos serem tão diferentes, a verdade é que trabalhar em equipas pequenas, com gente aproximadamente da mesma idade, em projectos que duram 9, 10 meses ou um ano, acaba por facilitar as amizades. E, realmente, tenho hoje verdadeiros amigos no meu trabalho. É esse um dos motivos fortes que me ligam a esta empresa - as pessoas. A relação com as pessoas. E quando comecei a aperceber-me disso, sorria para mim e pensava "estavas enganado, T., mesmo depois da faculdade é possível fazer amizades...".

Para além das diferenças de trabalho, havia outro factor com o qual o T. não contava - os tempos mudaram completamente desde aquela altura. Há 7 anos atrás eu comprei a minha primeira revista de internet (a saudosa cyber.net portuguesa...) e maravilhava-me com aquelas páginas, ainda que não percebesse tudo completamente. Algum tempo depois, entrei a medo no quiosque que a Telepac tinha no Forum Picoas (eu sei que agora se chama Forum Telecom, mas para mim será sempre o Forum Picoas) para experimentar pela primeira vez a sensação de navegar na WWW - um dos empregados deu-me uma explicação rápida e ali fiquei uma hora com um sorriso parvo nos lábios a experimentar meia dúzia de endereços que tinha rabiscado num papel e a fazer pesquisas de letras dos R.E.M.... :-)
Mais tarde, descobri os talkers e viciei-me... Sempre que podia, dava um salto ao Centro de Cálculo da Faculdade e sentava-me em frente aos velhos terminais UNIX para me ligar via telnet ao Lost Eden. Foi aí que conheci a Jessica, a minha primeira amiga virtual, com quem troquei mails durante alguns meses, até as férias de Verão nos cortarem a comunicação e eu nunca mais a encontrar ligada... Depois, conheci a Jane, essa sim uma grande amiga. Foi ela que me levou mais tarde para o Portugal dos Biciados. E foi ela também, já eu estava a trabalhar, que me levou para o IRC e me viciou. Nunca achei piada às conversas no mIRC - o ambiente Windows, a confusão enorme nos canais #portugal e afins, o tipo de conversas que via os meus colegas ter quando estavam ligados nos pcs da faculdade... Sabia sempre a algo fútil e superficial, oco e vazio. Nos talkers as coisas eram diferentes, as pessoas eram diferentes... Era tudo mais interessante e tinha aquele gostinho underground de estar sentado em frente a um terminal preto com letras verdes, sem janelas nem ratos, a digitar comandos para um écran único no qual se sucediam todas as conversas, fossem no canal público ou em privado...
No entanto, viciei-me no IRC. E se a Jane (nick entretanto substituido por outros diferentes...) é a minha amizade mais prolongada destas andanças de Internet, não é de certeza a única.
Na verdade, posso dizer que a Internet tem sido uma fonte importantíssima de amizades nos últimos tempos - foi por acaso que descobri, no ano passado, uma comunidade que se juntava num site português dedicado a um interesse em comum, no caso a fotografia. A partir daí, comecei a descobrir as pessoas, a falar via mail, via IRC, em encontros para tomar café, em almoços de âmbito nacional, em passeios para fotografar, outros só para conversar um bocado... E é impressionante como isso tem afectado a minha vida!

Olho para mim hoje e para o que era há 1 ou 2 anos atrás e sei que estou muito diferente - e muito por causa das pessoas que entretanto conheci, das experiências que partilhei com elas, das formas de "ver" que descobri e me fizeram alterar a minha própria visão do mundo.

E agora, também o lj me anda a mudar... Aqui não conheço quem está por trás dos nomes (salvo uma ou outra excepção), mas conheço um pouco das suas personalidades através dos escritos. E ao ler e reflectir, obrigo-me a pensar também em mim. Absorvo um pouco de todos vocês e vou mudando. E gosto de pensar que, embora de uma forma estranha e distorcida em relação à sociedade não-digital, somos amigos. :-)

T., estavas mesmo enganado! :-)


Ainda bem!...

mood: tired tired

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Cá vai mais uma...
Desta gosto muito (posso não ser modesto? ;-) )




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mood: happy happy

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