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Guil
 Estou a pouco mais de 100 páginas de terminar o "The Rest Is Noise: Listening To The Twentieth Century", do crítico musical americano Alex Ross - e estou cheio de pena e a querer prolongar ao máximo estes últimos capítulos.

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Adoro esta passagem do Slaughterhouse-Five do Kurt Vonnegut. A personagem principal, Billy Pilgrim, para além de ser (como o próprio Vonnegut) um sobrevivente do bombardeamento de Dresden na Segunda Grande Guerra, tem o condão de se deslocar no tempo, "desprendendo-se" da sua progressão natural. Vonnegut usa essa capacidade de forma magistral nesta descrição:

Billy looked at the clock on the gas stove. He had an hour to kill before the saucer came. He went into the living room, swinging the bottle like a dinner bell, turned on the television. He came slightly unstuck in time, saw the late movie backwards, then forwards again. It was a movie about American bombers in the Second World War and the gallant men who flew them. Seen backwards by Billy, the story went like this:

American planes, full of holes and wounded men and corpses took off backwards from an airfield in England. Over France, a few German fighter planes flew at them backwards, sucked bullets and shell fragments from some of the planes and crewmen. They did the same for wrecked American bombers on the ground, and those planes flew up backwards to join the formation.

The formation flew backwards over a German city that was in flames. The bombers opened their bomb bay doors, exerted a miraculous magnetism which shrunk the fires, gathered them into cylindrical steel containers, and lifted the containers into the bellies of the planes. The containers were stored neatly in racks. The Germans below had miraculous devices of their own, which were long steel tubes. They used them to suck more fragments from the crewmen and planes. But there were still a few wounded Americans, though, and some of the bombers were in bad repair. Over France, though, German fighters came up again, made everything and everybody as good as new.

* * *

When the bombers got back to their base, the steel cylinders were taken from the racks and shipped back to the United States of America, where factories were operating night and day, dismantling the cylinders, separating the dangerous contents into minerals. Touchingly, it was mainly women who did this work. The minerals were then shipped to specialists in remote areas. It was their business to put them into the ground, to hide them cleverly, so they would never hurt anybody ever again.

The American fliers turned in their uniforms, became high school kids. And Hitler turned into a baby, Billy Pilgrim supposed. That wasn’t in the movie. Billy was extrapolating. Everybody turned into a baby, and all humanity, without exception, conspired biologically to produce two perfect people named Adam and Eve, he supposed.

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Josh Ritter - The Curse
"She asked 'are you cursed?'/ He said 'I think that I'm cured'/ Then he kissed her and hoped/ That she'd forget that question"

Conheci Ritter no último dia de 2007, quando descobri por sorte o álbum "The Historical COnquests Of Josh Ritter". Nesse álbum havia uma canção de amor daquelas perfeitas, "The Last Temptation Of Adam", com uma letra extraordinária sobre o amor num bunker nuclear e a tentação de acabar o mundo para manter esse amor.
Em 2010, Ritter voltou com novo disco, "So Runs The World Away", mais maduro e com canções maiores. Entre elas, "The Curse", outra canção perfeita (Ritter é especialista em escrevê-las), desta feita sobre o amor entre uma paleontóloga e a múmia que descobre no Egipto, um amor impossível e assombrado por uma maldição. É daquelas músicas que uma pessoa não se cansa de ouvir (eu não canso, pelo menos). E depois, tem este vídeo genial, curiosamente concebido pelo baterista de Ritter, que para além de músico, é marionetista.

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Natalie Merchant - The King Of China's Daughter
"I skipped across the nutmeg grove/ I skipped across the sea/ But neither sun nor moon, my dear/ Has yet caught me"

Outro dos regressos de 2010 (e que comprei juntamente com o CD dos Divine Comedy), mas este ainda mais especial, por dois motivos: primeiro porque Natalie Merchant já não gravava há sete anos, segundo porque Leave Your Sleep, apesar da enorme diversidade de estilos e da gigantesca lista de músicos convidados (mais de 100!), é o mais coeso e mais bem conseguido álbum a solo de Natalie. Pensado como um projecto sobre a infância, é um álbum para o qual Natalie musicou poesia, não necessariamente infantil, de vários autores dos séculos XIX e XX. É um projecto extremamente pessoal (Natalie foi mãe em 2003) e com grandes, grandes canções. Esta em particular, "The King Of China's Daughter", tornou-se quase um vício para mim, com um extraordinário arranjo oriental interpretado pelo Chinese Music Ensemble of New York. Adoro o som dos instrumentos de cordas orientais e há um erhu em grande destaque nesta canção. É um som suave e melodioso como só naquela parte do mundo poderia surgir, e adequa-se na perfeição a este poema e a esta música.

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Daqui a nada irei à minha antiga escola primária, aqui na Nazaré, para votar. Será provavelmente a última vez que voto aqui, visto que em Fevereiro irei tirar o Cartão do Cidadão e ficarei definitivamente recenseado em Lisboa. É uma mudança que me faz sentido - para o ano terei tantos anos de Lisboa como de Nazaré -, mas que me custa. Gosto de votar aqui, de ter uma palavra a dizer aqui. Um nazareno, por muito longe que viva, nunca perde a ligação à terra, e o vir cá votar é um símbolo forte dessa ligação.

O que mais me entristece em tudo isto é que a última votação que faço cá seja precisamente esta, que é, de entre todas as que me lembro, a que tem o pior conjunto de candidatos, as piores campanhas e o maior número de imbecilidades ditas. É o que temos? Não - quero acreditar que seria possível arranjar bem melhor do que estes que vão hoje a votos -, mas foi o que apareceu. Seja, então. Mesmo uma escolha entre maus candidatos é de longe preferível a não poder escolher.

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Que bela surpresa o concerto dos Jazzafari, ontem à noite, no Catacumbas. Três músicos (guitarra, baixo e voz) muito bons, a encher a casa com um jazz cheio de swing, groove, e todas as coisas boas que o bom jazz consegue ter.
Mas o melhor de tudo foi mesmo o resto, a noite passada a rever velhos e novos amigos. Uma noite aconchegante, apesar da temperatura que fazia na rua.

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 The Divine Comedy - Assume The Perpendicular
"I can't abide a horizontal life/ It's time to rise, assume the perpendicular"

2010 Foi o ano do regresso dos Divine Comedy, com um álbum de que gostei muito, Bang Goes The Knighthood. É o décimo álbum dos DC - e o anterior era já de 2006, tempo demais para esperar pelo regresso de Neil Hannon. Para além das canções em si, há dois motivos para gostar deste disco - o primeiro é o facto de ter comprado a edição especial, que inclui nove canções gravadas ao vivo em Paris, em Setembro de 2008, nas quais Neil Hannon canta versões de canções francesas de diversos autores (Amsterdam de Jacques Brel, Poupée de Cire, Poupée de Son, escrita por Serge Gainsbourg para France Gall, Les Copains D'Abord de Georges Brassens, e até Joe Le Taxi da Vanessa Paradis). Hannon desenrasca-se muito bem, num francês bastante decente - e é muito divertido ouvi-lo nestas versões. O segundo motivo, mais pessoal, é o facto de ter comprado este álbum na Rough Trade de Notting Hill, uma loja que adoro (até pelo papel que teve na música britânica nos anos 80). Por esse motivo, é um álbum que me faz lembrar Londres - e isso sabe sempre bem.

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 Nobody's Bizness - Blues For The Month Of June
"I'm feeling lonely as an olive/ In a Dry Martini glass"

Era impossível não os incluir nesta lista. 2010 fica marcado pela felicidade de ver finalmente o álbum dos Nobody's Bizness à venda. "It's Everybody's Bizness Now" (que bela ideia para título!) é um grande disco, e captura a banda num ponto alto de maturidade, a mostrar que sabe bem o que quer fazer e como o fazer. E correu tudo bem: a escolha das versões foi acertada, a aposta nos originais também, a produção do disco irrepreensível (grande Paulo Miranda!). Podia ter incluído qualquer um dos temas nesta lista. Vai o "Blues For The Month Of June" por ser um dos 6 originais - e por ser lindíssima.

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Quando me abrirem o peito,
eis tudo o que encontrarão:
três poesias já gastas,
meia-dúzia de promessas
e um inútil coração.


(também publicado nas @narratwivas)

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 The Black Keys - Tighten Up
"It's times like these/ I need relief/ Please show me how"

Outra das descobertas que vieram no final do ano. A quantidade de boas referências que fui vendo ao álbum Brothers chamou-me a atenção e lá acabei por descobrir (bastante atrasado, eu sei, que eles já andam por aí desde 2001...) o blues-rock dos Black Keys. Brothers é um álbum muito forte e cheio de canções das quais é difícil não gostar. Tighten Up é das que mais repito no iPod.

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