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"Exit Music (For A Film)", RadioheadÉ difícil escolher, mas para mim esta é a melhor música do melhor álbum dos Radiohead, OK Computer. Composta para o genérico final do filme Romeo + Juliet (daí o seu título), é uma canção perfeita. Começa simples, só com acordes numa guitarra acústica e a voz frágil de Thom Yorke (" Wake from your sleep..."). São os preparativos para a fuga dos dois amantes (não necessariamente Romeu e Julieta). A canção continua mais algum tempo assim, lenta, quase asfixiante, até chegar o frio cantado por Yorke - que é geralmente quando começo a arrepiar-me - que pede: " Sing us a song/ A song to keep us warm/ There's such a chill/ Such a chill". Finalmente, vem o grito de revolta, com um baixo carregado de fuzz a rasgar a música, num crescendo brutal até ao momento em que Yorke sobe a voz para gritar " We hope your rules and wisdom choke you". O que se segue, a última estrofe da canção, " And now we are one/ In everlasting peace/ We hope that you choke/ That you choke" é indescritível. Não consigo não me arrepiar com isto. É perfeito, é a canção perfeita. A minha preferida de OK Computer - e, muito provavelmente, dos Radiohead.
Aqui fica a música, mais uma vez graças ao YouTube:Tags: música
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"When The Curious Girl Realizes She Is Under Glass", Bright EyesComecei a ouvir Bright Eyes em 2000, pouco depois da banda de Conor Oberst lançar Fevers And Mirrors, provavalmente o seu álbum que ainda prefiro. Foi acidente - na altura usava muito o Audiogalaxy, um misto de site e ferramenta peer-to-peer, bem melhor que o Napster da altura, e que era uma verdadeira mina para arranjar músicas (em 2000 não havia uma explosão tão grande de partilha de ficheiros como há hoje). Um dia, na página do site do Audiogalaxy que recomendava novas bandas, surgiu uma referência aos Bright Eyes e eu, curioso, ouvi uma das músicas que o site disponibilizava. Gostei tanto que tentei arranjar mais umas quantas - e gostei de todas as que arranjei na altura. De tal maneira que mandei vir todos os discos editados e a partir daí nunca mais os larguei. Isto a propósito de When The Curious Girl Realizes She Is Under Glass, faixa número 7 (salvo erro... vai de memória!) de Fevers And Mirrors. É uma música bizarra. Piano e voz, muito som de fundo, como se Oberst tivesse deixado um gravador no meio de uma sala e se fosse sentar ao piano a tocar e a cantar, enquanto pessoas andavam pela casa, tossindo, fazendo barulho. A melodia é lindíssima, Conor grita os versos naquele tom angustiado de quem se rasga todo por dentro que ele tinha por estas alturas (depois cresceu e passou-lhe esta neura juvenil, e se calhar é pena), a letra vacila entre imagens de felicidade e entes queridos (" Tomorrow when I wake up I’m finding my brother/And making him take me back down to the water/That lake where we sailed and laughed with our father", " I started this letter I’m going to send it to Ruba/It will be blessed by her eyes on the gulf coast of Florida/With her feet in the sand and one hand on her swimsuit/She will recite the prayer of my pen") e a angústia gritada dos refrões (" No matter how I may wish for a coffin so clean/Or these trees to undress all their leaves onto me", " But no matter what I would do in an attempt to replace/All the pills that I take trying to balance my brain"). É um desequilíbrio emocional, mas que não consigo deixar de ouvir, e de me arrepiar quando ouço - subo o som e fico a ouvir Oberst a berrar de forma frágil cá dentro. Como raio é que alguém com 21 anos conseguiu escrever uma coisa tão forte e tão perfeita é ainda um mistério para mim. (deixo um vídeo que encontrei no Youtube - bom, não é bem um vídeo porque a imagem é estática, mas a música está lá, é o que interessa)Tags: música mood: okay
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Estou aqui bastante satisfeito a ouvir o álbum "Chant Darling" do neozelandês James Milne, que assina os seus discos com o nome Lawrence Arabia. Ouvi este senhor pela primeira vez na primeira parte do concerto da Feist na Aula Magna, no ano passado. Cheguei ao final da actuação dele a pensar que a Feist podia até nem aparecer, que o bilhete já teria valido a pena (felizmente ela apareceu, e muito bem - o bilhete valeu por dois!). No intervalo fui a correr comprar o CD do senhor Arabia ( este, de 2006) e ainda consegui que mo assinassem. No entanto, quando o ouvi, fiquei algo... enfim, decepcionado. Não era bem o que tínhamos ouvido - os arranjos eram diferentes, e o disco no geral, tirando uma ou outra música, pareceu-me muito sensaborão. Quando comecei a ouvir falar de um novo álbum de Milner, fiquei curioso. A primeira canção que ouvi foi The Beautiful Young Crew, e finalmente pareceu-me reencontrar o mesmo Lawrence Arabia que tinha ouvido naquela noite. A canção é muito bonita e uma das que mais ouvirei por estes tempos mais próximos, parece-me. Quanto ao resto do disco, está lá tudo. Tenho a sensação que provavelmente teremos ouvido várias músicas deste novo álbum no ano passado, e não tantas do álbum anterior. Pelo menos este lembra-me muito mais a Aula Magna. Vale a pena tentarem encontrá-lo e darem-lhe uma ouvidela ou duas! O myspace de Lawrence Arabia - e abaixo, The Beautiful Young Crew, ao vivo em Amsterdão: Tags: música mood: cold a ouvir: lawrence arabia - the beautiful young crew
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As duas versões que Leonard Cohen gravou da sua canção Hallelujah (em estúdio, no álbum de 1984 Various Positions, e ao vivo, numa gravação de 1988 incluída em Cohen Live, de 1994) nunca conseguiram ir muito além do círculo de admiradores da sua obra. Foram precisas as versões, primeiro de John Cale, e depois de Jeff Buckley (e mais de 180 de outros intérpretes, segundo a Wikipedia), para que a canção se tornasse um sucesso global. Ainda assim, caso dúvidas houvesse, basta pegar no Live In London que Cohen lançou há dias e que regista o concerto de Londres da digressão que o fez regressar aos palcos depois de um interregno de quase 15 anos, para perceber de quem é realmente a canção. A entrega de Cohen é arrepiante (literalmente: não sou capaz de evitar arrepiar-me, tal como em Algés, em Julho passado), e faz-nos perceber que nenhuma outra voz como aquela - rouca, grave, com o peso de toda uma vida em cima - é capaz de nos entregar um ' cold and very broken hallelujah' assim tão forte. Tags: música
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